por Tacitus Australis
O sistema internacional atravessa uma fase de transição sem precedentes.
Os Estados Unidos reforçam sua hegemonia por meio da tecnologia e da política fiscal, enquanto a China enfrenta uma desaceleração estrutural e busca reinventar sua legitimidade através de uma narrativa confucionista.
A Europa continua fragmentando-se, presa entre a transição verde e a dependência energética.
No Oriente Médio, o conflito entre Irã e Israel tornou-se estrutural, com Turquia e Arábia Saudita mediando por conveniência.
A América Latina segue imersa em crise estatal, com modelos de governança que funcionam como franquias.
Ainda assim, surgem lideranças disruptivas que, além do discurso antissistema, demonstram eficácia operacional e legitimidade narrativa.
A região converteu-se em laboratório de inovação política e tecnológica em meio à fragilidade estrutural.
O Atlântico Sul desponta como novo eixo estratégico, onde convergem recursos, rotas logísticas e disputas de soberania.
Nesse contexto, o Uruguai preserva estabilidade à custa de uma neutralidade que roça a irrelevância.
Carece de inteligência estratégica nacional e soberania tecnológica, mas conserva um capital simbólico que pode transformá-lo no hub diplomático e logístico do Atlântico Sul.
O desafio imediato é construir uma visão de longo prazo baseada em inteligência transversal, integração com Ásia e África e uma narrativa nacional capaz de projetar destino.
A era que começa não será vencida com exércitos nem tratados, e sim com percepção, antecipação e sentido.
